sábado, 11 de março de 2023

Psicanalise Usurpadora?


Deixe-os em paz; são guias cegos.  
 E se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova. 

– Mateus 15:14 


A psicologia surgiu no final do século XIX na Europa, e foi trazida ao Brasil no início do século XX. Apesar da falta de regulamentação do ensino e da prática, em 1953, inicia-se o primeiro curso superior autônomo de Psicologia, na PUC do Rio de Janeiro (Esch & Jacó-Vilela, 2001; Yamamoto, 2006). Na época, a psicanálise era uma das correntes teóricas mais difundidas no mundo. Por ser o primeiro curso, não existiam professores formados em psicologia, sendo professores formados em outras áreas como direito, filosofia, etc. 

Ao longo do tempo, a psicologia tentou se separar cada vez mais da psicanálise. A distância se deu por divergências teóricas, ideológicas e por falta de embasamento científico na psicanálise. A psicanálise é uma disciplina com métodos e objetivos próprios sem comprovação empírica e não pode ser resumida a uma simples escola psicológica afinal ela por sua vez, deve ser ensinada em cursos específicos, como psicanálise clínica ou terapia psicanalítica, e não como parte da formação em psicologia, não faz sentido algum já que seus defensores negam que ela seja uma ciência ( não se baseia em métodos de verificação empírica) e a psicologia certamente é uma ciência.  

A psicanálise e a psicologia possuem abordagens e objetivos bastante distintos. A psicologia se naturalmente se baseia (ou deveria se basear) em métodos rigorosos e empíricos para obter conhecimentos objetivos e verificáveis sobre algo. Por outro lado, a psicanálise não se enquadra nos moldes da ciência, pois se apoia em uma metodologia subjetiva e ocultista, baseada na interpretação das experiências e relatos dos pacientes e suas subjetividades confrontando as subjetividades do psicanalista. 

Enquanto a psicologia busca explicar o mundo por meio de “leis universais”, a psicanálise tem como objetivo a compreensão da subjetividade humana, ou seja, dos processos psicológicos inconscientes que influenciam o comportamento humano usando a subjetividade do terapeuta.  

As divergências teóricas de origens diferentes de pensamento sempre irão gerar um choque entre diferentes abordagens, como é o caso da psicanálise e da psicologia. Embora o diálogo possa ser enriquecedor, é importante reconhecer que a defesa de práticas pseudocientíficas, como a psicanálise, pode ser danosa em qualquer curso científico, pois isso pode levar a uma subestimação da importância do método científico e à adoção de práticas que não têm embasamento empírico sólido. Ultimamente essa subestimação não vem apenas aumentado como ataques anticiência estão cada vez mais acalorados surgindo até comparações esdruxulas como o nazismo. 

É curioso pensar que, apesar de termos a intenção obsessiva de reavaliar nossos métodos, essa intenção pressupõe a existência de diálogo honesto e boa intenção na revisão. Entretanto, há uma diferença fundamental entre a pbe e a psicanálise: a ciência não se apoia em verdades absolutas, mas em teorias e hipóteses que são constantemente questionadas e testadas, com o objetivo de refutá-las ou limitá-las. Esse processo de constante revisão e aprimoramento dos métodos e conceitos científicos é o que confere à ciência sua capacidade de se reinventar e evoluir continuamente, buscando uma compreensão mais precisa e aprofundada da realidade. Em última instância, é essa disposição crítica e autorreflexiva que torna a ciência um empreendimento tão fascinante e, ao mesmo tempo, tão necessário para a compreensão do mundo e de nós mesmos. 


Parta sem alarde, sem deixar rastro,  
Que tu, um usurpador, disfarçado de mestre da mente,  
Deleite-se em ilusões, delírios e julgamentos  
Entretanto sempre te lembrarei: nada disso é verdade, nada disso é Psicologia. 

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